segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

AOS INCRÉDULOS


Eu nunca quis ser sintoma de uma época. Sempre vi com tristeza pertencer aos dados estatísticos mais banais.

Penso que se tivesse nascido na Idade Média seria racionalista; se tivesse nascido no Iluminismo, teria superstições. Nas grandes navegações, eu ficaria em casa, plantando batata; e no feudalismo, eu, certamente, venderia bujingangas para os servos inocentes. Contanto que eu não me convencesse pela repetição.

As obviedades dos tempos costumam mudar de tal maneira que o básico de hoje pode se tornar o surpreendente de amanhã. Prefiro que seja assim. Prefiro ser uma pessoa que crê, quer por inocência, quer por displicência. Desconfiar dá trabalho.

Hoje senti de perto o avesso de uma intenção. Uma intenção posta às avessas fica ensimesmada, cria limo, não dá pé. O interessante que foi nas instituições de ensino onde mais ouvi frases do tipo "mas estamos no Brasil!", "vão é vender os livros", "isso só da certo na Europa". Tudo isso pela idéia - já comentada - de esquecer livros de propósito para que outras pessoas os achem e esqueçam novamente.

Algumas pessoas acham nessa idéia que é uma vontade que é uma intenção um teor de inocência tola que mesmo quando não dita em essência, é sentida nas entrelinhas dos comentários. O mais interessante é que a incredulidade destas pessoas partem, justamente, dos seus conhecimentos adquiridos em livros. Seja na universidade, onde um estudante de Sociologia quis me advertir sobre a corrupção humana no século XXI, à luz da noção calvinista da insustentável leveza do ser; seja numa turma de alunos adolescentes cujos "a senhora é doida..." soava divertido e desesperançoso.

Para estas pessoas e para tantas outras que desconfiem da possibilidade de inovação de uma idéia, prefiro calar minha fala e deixar Martin Luther King dá um recado: "o que mais me preocupa não é o grito dos maus. Mas o silêncio dos bons".

Bons ou não, os livros foram feitos para serem gritados. E estou tentando ecoá-los por aí. Quem me acompanha?

Beijo recitado,
Samelly Xavier

7 Comments:

Maria said...

Eu! Vou já já escolher o meu primeiro esquecimento!!!

Beijos

Sidney Andrade said...

Eu vou tbm! \o/
E olha que o que não me faltou foi expressoes do tipo: 'que garoto besta... idéia tola', sempre travestido de um 'eu não sei me desapegar aos meus livros'.
Mamãe tem uma frase bonita pra defender que sua biblia fique permanentemente aberta na estante, a qual julgo aplicável a qualuqer livro: 'um livro fechado de nada serve, por mais bonito que seja.'
Abrir livros é mesmo essencial, principalmente quando as mentes se mostram tão fechadas.
Continuarei esquecendo - os livros e os tons pessimistas/reprovadores dos livros fechados para a descoberta do mundo...

BJIN...

Anônimo said...

Bonito! Gostei, sobretudo, dos dois primeiros parágrafos.

Rodeildo Clemente

Anônimo said...

Pensado bem, gostei mais ainda dessa frase - "Contanto que eu não me convencesse pela repetição".

Tem uma essência desproporcional.

;*

Rodeildo Clemente[2]

Fern! said...

Eu vou! Até porque quando tu gritas eu escuto de onde estiver!
Abraço apertado,
Da sua fã sem número!

Wilhelm said...

Vamos ecoar os livros, mas principalmente as idéias dos livros.

Perto de Mim said...

Eu acompanho todos e como eu já disse: sou tua fã! abraços