sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

PRIMEIRO SEGUNDO

(Poema - por enquanto - ainda inédito. Feito há exatamente um ano e com a mesma validade de então)

Primeiro segundo

As últimas batidas

Dos carros e dos relógios

As últimas baladas

Das rimas e dos discos


O último cigarro

A última cigarra

A fumaça e o barulho

Que o vento leva

l...i...v...r...e...m...e...n...t...e...


O último ovo mexido

Os últimos clarões

As últimas carícias

Os últimos gemidos


O último drink

Cool

In: outdoor

O último estrangeirismo

What...ever...


Os últimos pecados

As últimas maçãs

O último rosto de Eva

Em oração para Ave


Os últimos vôos

As últimas varandas


As últimas meias:

penduradas no ponteiro

Ou no primeiro andar

(Ah,os primeiros andares cambaleantes...!)


Os últimos rumores

Os últimos rubores

Os últimos rumos:

À face, os léus e as luas


Os últimos: bah!

Os últimos: por quê?

Os últimos recém-nascidos

Os últimos reféns suicidas


Os últimos aplausos claustrofóbicos

Os últimos dedo-mindinho-seu-vizinho

Os últimos amorzinho-amiguinho

Os últimos inhos cantarolados em ão


Os últimos mendigos

As últimas prostitutas

As últimas calçadas quebradas


As últimas palavras expressas

As últimas letras impressas

As últimas pressas em dizer

As últimas urgências urgentes


Os últimos interruptores acesos

No último segundo interrompido

Garantindo, incessantemente:


Nov’ano

Tod’ano


Piscando:

Tudo igual só que diferente


O tempo inédito e óbvio

como uma casca de fruta

Que se abre que se lembra

mas não se sabe

o sabor

Samelly Xavier

7 Comments:

Carlos Lucchesi said...

Dizem que o tempo é mera convenção; que tudo continua sempre, e que "último" é condição temporal.
Há quem vá mais longe ainda: Estes dizem que o universo está em um eterno retorno, e que o "big bang", nada mais foi do que o último do qual tivemos notícia, e que irá acontecer de novo. Talvez da mesma forma, entre milhões de outras possibilidades de combinações da matéria.
Ai sim, temos a certeza de que sequer o fim do universo é a última chance de nossas vidas...

Bruno Gaudêncio said...

Parabéns pelo poema Samelly. Válida sensibilidade sobre o último, o tudo último, a finitude...

Maria said...

"Tudo igual só que diferente". Gostei disso ^^

Feliz novo ano!

=*

Agostinho Lopes said...

Tudo muda para ficar a mesma coisa... hahaha

Eu já mudei! Coloquei um calendário novo em minha mesa de trabalho.

Beijoooooo

Charles Canela-(38-91451466) said...

Que o 2009 seja o fruto descascado que ainda não se sabe o sabor, mas que deixa a entender que é tudo de gostoso.

...e que essa sua sede de escrever é o transbordamento de tanta emoção, sentimento, vontade, desejos nobres

... é uma válvula de escape porque nós dois sabemos que ter tanto sentimento também sufoca

prisciladimorais said...

SameeellY.

Que 2009 te traga tudo de melhor.
Que sua vida seja repleta de muita paz, amor, saúde e muitoooo SUCESSO.

*Te admiro demais, flor.*

Parabéns pelo LINDO poema viu?

BeeeeijOs

lila said...

'Tudo igual só que diferente'

há tanto tempo nao passava aqui...
adorei sua casa nova...
com mais cara de samelly.

amo voce.

saudades...