sábado, 5 de novembro de 2011

INFERNO ASTRAL




Falta mais ou menos um mês pra um dos aniversários que mais esperei na minha vida. Sei lá. Sou dessas que associa uma idade a um triunfo. Depois dos 20 e todos, dos quase 30, dos ai-meu-Deus e quando for 40?, a gente já pode se atrever a divagar pela vida apressada. Na verdade, o mais engraçado é que ou eu não cresci nada nas últimas duas décadas e vou passar do estágio verdoso diretamente para o podre; ou eu não me perdi, apesar dos atalhos e meu cérebro será estudado pelos cientistas poéticos do século XXII.

Estou assustada como sou a mesma Samelly de quando eu tinha um ano de idade. Ainda choro quando não fazem minhas vontades; ainda gargalho para o que me diverte. Ainda durmo quietinha depois da comida gostosa...

Certamente nada está do jeito que eu pensei que estaria quando lá pelos meus 15 anos eu pensei em agora. Não adiantou de nada prever tudo. A vida surpreende com clichê e tudo. Aliás, os clichês são muito, muito surpreendentes. Já imaginou o que acontecerá quando votarmos consciente, usarmos camisinha e fizermos a nossa parte? Pois bem: esta casa não é minha; este corpo ainda não é o meu; a minha alma tá aprendendo a ser minha; os familiares são diferente dos parentes; os amigos são sempre outros; a minha mãe é uma figura... Gente foi, gente veio, gente ficou.. Gente me povoa porque eu nasci pra ser habitada. Meu humus é o amor. Do mais bonitinho, como o da borboleta que morreu na minha janela e virou adesivo de agenda ao mais insensato que me fez mil papéis: de cigana à espanhola; de atriz de novela mexicana à escritora de filme pornô.

Eu poderia escrever muita coisa, mas o tapa na cara dos últimos anos foi: não adianta palavra pra quem não tem paladar. Minha poesia recheada fica insossa na boca de quem a cospe. Eu quero ter um milhão de amigos e em cada um deles deixar meu abraço recitado. Eu queria dizer a todos que não me entendem que maturidade é só um nome politicamente correto para solidão bem resolvida.

Eu queria deixar um beijo pra minha mãe, pro meu pai, e especialmente pro espelho. Esse safadinho que insiste em me revelar, mais que refletir. E queria aproveitar a oportunidade pra dizer, olhando pra câmera: eu simplesmente ainda acredito. E tenho dito.

Samelly Xavier, sendo redundante

3 Comments:

Agostinho Lopes said...
Este comentário foi removido pelo autor.
Agostinho Lopes said...

Confie em mim. Não dói.... Já cheguei aos 50, embora quem olhe na minha cara, dê no máximo, 49...

Fern. said...

É, tem uma coisa nesse texto que eu preciso... Fazer "a minha alma aprender a ser minha!"